Recuperação da floresta e valorização da vida na Amazônia
22/12/2025
Um manifesto pela restauração da floresta e pela valorização da vida na Amazônia, escrito pelo grupo Refloramaz, foi apresentado na COP 30, realizada em Belém em novembro de 2025. O objetivo desse manifesto é reivindicar uma série de medidas necessárias para garantir a recuperação dos territórios e florestas degradadas, a soberania alimentar, o bem-viver e a justiça climática na Amazônia.
Recuperação da floresta Amazônica : um manifesto para uma transição justa e responsável
Na Amazônia, o impacto das mudanças climáticas, exacerbado por um modelo económico predatório, a expansão da agroindústria e a exploração mineira estão destruindo a biodiversidade e ameaçando os povos da Amâzonia. É a conclusão do grupo de pesquisa-ação Refloramaz, composto por pesquisadores e estudantes de várias instituições (Universidade Federal do Pará, Universidade Federal Rural da Amazônia, Cirad), agricultores familiares, populações indígenas e comunidades quilombolas, e que tem como objetivo contribuir para uma restauração ambiental socialmente justa, baseada nas práticas e nos conhecimentos dos agricultores da Amazonia.
Uma formação universitária inédita, reunindo pesquisadores, estudantes e agricultores, favoreceu a criação de algumas centenas de iniciativas agroflorestais na Amazônia brasileira. As atividades foram realizadas no nordeste paraense. Após dois anos de workshops e idas e vindas entre a teoria e a prática, chegou a hora de compartilhar os conhecimentos construídos em conjunto.
Consciente da urgência climática e das injustiças socioambientais, o grupo Refloramaz apela à restauração dos territórios e florestas degradados, bem como à resistência aos modelos de desenvolvimento destrutivos. Para isso, o grupo elaborou o “Manifesto pela restauração da floresta e valorização da vida na Amazônia”, que inclui uma série de reivindicações para garantir uma Amazônia livre, sem mercantilização de seres, dos saberes e das pessoas, a manutenção da vida, da biodiversidade e das comunidades, que respeitem e envolvam as populações amazônicas.
Ilustração da Beatriz Belo @beademilho
COP 30 em Belém: levar as reivindicações dos povos amazônicos através do manifesto
A COP 30, realizada em Belém, na Amazônia brasileira, foi uma oportunidade para divulgar o manifesto e levar as reivindicações dos povos da Amazônia. O manifesto foi apresentado em vários eventos, como “Caminhos para uma restauração socioambiental justa para os povos e comunidades tradicionais”, no sábado, 15 de novembro, na Agrizone, e o evento “Laboratórios florestais vivos: o papel decisivo dos povos indígenas e das comunidades locais”, realizado na zona azul do pavilhão da França, na terça-feira, 18 de novembro. O manifesto foi entregue a vários ministros brasileiros: Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e do Clima, Paulo Teixeira, ministro do Desenvolvimento Agrário, e Sonia Guajajará, ministra dos Povos Indígenas. O texto também recebeu a assinatura do renomado climatologista brasileiro Carlos Nobre.
Legenda: foto 1: Marina Silva, Ministra do Meio Ambiente e das Mudanças Climáticas do Brasil, e Livia Navegantes, Universidade Federal do Pará (UFPA); foto 2: Sonia Guajajará, Ministra dos Povos Indígenas; foto 3: Paulo Teixeira, Ministro do Desenvolvimento Agrário; foto 4: Emilie Coudel, Cirad, Livia Navegantes, UFPA, Carlos Nobre, Universidade de São Paulo (USP) e Gabriel Resque, Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA)
Mais de 400 representantes já assinaram o manifesto, provenientes de diversas instituições, principalmente do Brasil, mas também de outros países (Colômbia, Peru, Suriname, Guiana Francesa, França, Bélgica, Congo). Tudo isso contribui para dar visibilidade às soluções para a justiça climática, promovidas pela agricultura camponesa e agroecológica, que envolve milhões de pessoas no Brasil e no mundo.