Plantações de eucalipto: produtividade recorde, mas um poço de carbono incerto

20/05/2026
Um estudo publicado na revista *Global Change Biology*, coordenado por pesquisadores do CIRAD e seus parceiros brasileiros, documenta pela primeira vez a capacidade de sequestro de carbono das plantações de eucalipto tropical. Com base em medições realizadas no sul do Brasil ao longo de 14 anos, este estudo fornece dados que faziam muita falta para estimar o real potencial de mitigação das mudanças climáticas das paisagens florestais tropicais plantadas e exploradas pelo ser humano.
La tour à flux a mesuré la séquestration de carbone en continu pendant 14 ans. Les appareils de mesures, nichés à 5 à 7 mètres au-dessus des arbres, passent de 5 à 35 m de hauteur au cours d’une rotation. © J. Guillemot, Cirad
La tour à flux a mesuré la séquestration de carbone en continu pendant 14 ans. Les appareils de mesures, nichés à 5 à 7 mètres au-dessus des arbres, passent de 5 à 35 m de hauteur au cours d’une rotation. © J. Guillemot, Cirad

La tour à flux a mesuré la séquestration de carbone en continu pendant 14 ans. Les appareils de mesures, nichés à 5 à 7 mètres au-dessus des arbres, passent de 5 à 35 m de hauteur au cours d’une rotation. © J. Guillemot, Cirad  

As plantações de eucalipto cobrem mais de 20 milhões de hectares em todo o mundo e 8 milhões de hectares no Brasil, onde se expandem rapidamente para atender ao aumento da demanda global por madeira. No entanto, pouco se sabe sobre a dinâmica do sequestro de carbono nesses ecossistemas, que são periodicamente submetidos a cortes rasos.

No âmbito do Desafio de Bonn, a comunidade internacional se comprometeu a restaurar 350 milhões de hectares de florestas e terras até 2030. Quase metade dessas áreas é hoje constituída por plantações comerciais. Nosso trabalho visa avaliar sua capacidade real de sequestro de carbono.

Joannes Guillemot
Chercheur en écophysiologie forestière au Cirad

Um grande potencial no curto prazo, mas incerto no longo prazo

O estudo mostra que a produtividade e o sequestro de carbono nas plantações de eucalipto são muito maiores do que nas florestas naturais: de fato, a parcela estudada é capaz de sequestrar até 20 toneladas de carbono por hectare por ano. Um valor excepcional, bem superior ao das florestas tropicais úmidas, que, em sua maioria, armazenam menos de 6 toneladas de carbono por hectare por ano. Uma consequência disso é que, após um corte raso seguido do replantio da parcela, a plantação volta a se tornar rapidamente um poço de carbono e compensa, em menos de dois anos, a quantidade de carbono liberada durante o corte.

Esses valores, que parecem encorajadores, devem, no entanto, ser relativizados: o acúmulo de carbono ao longo do tempo não é garantido nessas plantações. De fato, o estudo demonstra que o balanço de carbono a longo prazo dessas plantações é próximo da neutralidade. A quantidade de carbono exportada com os troncos após o corte raso é comparável àquela sequestrada ao longo de uma rotação: assim, a acumulação de carbono a longo prazo nessas plantações comerciais de eucalipto não é garantida, apesar de sua altíssima produtividade. Esses resultados, obtidos em escala de parcela, serão complementados no futuro por uma análise do ciclo de vida dos produtos fabricados a partir da madeira colhida: celulose, carvão vegetal para a siderurgia ou painéis de partículas, que, aliás, contribuem para a bioeconomia.

O projeto EUCFLUX: um local altamente equipado com instrumentos que aposta no longo prazo

Esses resultados inéditos ilustram a importância de uma abordagem científica baseada em locais altamente equipados com instrumentos, que permitem compreender os mecanismos fisiológicos que determinam os ciclos biogeoquímicos na floresta. Esses dados são, de fato, cruciais para antecipar os efeitos das mudanças climáticas nas florestas, mas também para orientar as estratégias de mitigação e adaptação.

Este estudo é resultado de uma colaboração científica de longo prazo entre o CIRAD e o Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (IPEF), que reúne as principais empresas plantadoras de eucalipto no Brasil, bem como parceiros acadêmicos brasileiros, em especial a Universidade de São Paulo/ESALQ. Há 20 anos, o CIRAD realiza, junto com seus parceiros no sul do Brasil, pesquisas de ponta sobre o funcionamento das florestas plantadas e contribui, assim, de maneira crucial para o aprimoramento da silvicultura tropical.

Referência

Guillemot, J., G.leMaire, O. C.Campoe, et al. 2026. “Fast Net Carbon Balance Recovery After Clear-Cutting but Uncertain Long-Term Carbon Accumulation in Eucalyptus Plantations.” Global Change Biology32, no. 4: e70881. https://doi.org/10.1111/gcb.70881.