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Compreender e medir a degradação florestal: um novo quadro para políticas mais eficazes
Paragominas, localizada no estado do Pará, no Brasil. A região passou por um período de forte desmatamento e degradação florestal © L. Blanc, Cirad
Ao contrário do desmatamento, a degradação florestal não se traduz no desaparecimento da cobertura florestal, mas sim numa alteração progressiva da capacidade das florestas de fornecer serviços essenciais: biodiversidade, armazenamento de carbono, regulação do clima ou recursos madeireiros.
Frequentemente causada por incêndios florestais ou pela exploração excessiva, a degradação precede e amplifica o desmatamento. O problema é que, até hoje, não existe um método harmonizado que permita avaliá-la em grande escala. Na falta de ferramentas para defini-la e medi-la, a degradação florestal continua sendo o ponto cego das políticas públicas. Para preencher essa lacuna, um consórcio Cirad/IRD/CNRS/Ecofor desenvolveu uma nova classificação das florestas. Esse trabalho, financiado pelo comitê científico e técnico Floresta da AFD, é detalhado em uma nova nota de política (policy brief).
A floresta tropical úmida degradada pode ter uma estrutura florestal (altura do dossel e cobertura florestal) semelhante à de uma floresta tropical seca sem perturbações. Este exemplo entre dois biomas florestais localizados no Brasil ilustra toda a dificuldade em torno da medição da degradação florestal.
Um quadro científico reprodutível e adaptável a diferentes contextos
O princípio desse novo método é simples: comparar a altura da copa das árvores e a taxa de cobertura florestal observadas com valores de referência estabelecidos para florestas intactas de cada tipo de ecossistema (floresta tropical úmida perene, semidecídua, seca, etc.). Testada nos Camarões, essa abordagem permite mapear as florestas degradadas e refinar as estimativas nacionais, mantendo-se compatível com as ferramentas internacionais de monitoramento (FAO, RDUE).
Seguindo o novo método, o consórcio determinou que existem sete tipos de florestas no Camarões. Nesta cartografia de 2020, os cientistas detalham dois exemplos que distinguem as áreas florestais degradadas (em amarelo) e as áreas florestais intactas (em verde).
Rumo a políticas mais coerentes e inclusivas
Este avanço metodológico abre novas perspectivas para as políticas públicas, especialment europeias. Poderá permitir uma revisão da definição de «degradação florestal» no RDUE (Regulamento Europeu contra a Desflorestação e a Degradação), atualmente considerada muito restritiva, uma vez que exclui algumas causas importantes, como os incêndios ou a exploração excessiva.
Além da regulamentação, essa abordagem também poderia alimentar mecanismos de financiamento inovadores, como o Tropical Forests Forever Facility, que visa recompensar os esforços dos países florestais para preservar seus ecossistemas.
Uma chamada à concertação entre ciência e decisão
Os autores lembram, por fim, que medir não é suficiente: compreender as dinâmicas humanas na origem da degradação continua sendo uma tarefa essencial para reverter a tendência. Este resumo de políticas convida, portanto, a um diálogo reforçado entre pesquisadores, tomadores de decisão e atores locais, a fim de construir políticas de proteção das florestas tropicais mais eficazes, justas e sustentáveis.